Rio+20: Sociedade civil frustrada por “completo fracasso”

O resultado da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, é um fiasco para as organizações não governamentais, que recusaram o documento final negociado pelos governos. Por Amantha Perera e Claudia Ciobanu, da IPS.

O diretor-geral do Greenpeace, Kumi Naidoo, qualificou de “completo fracasso” o resultado desse encontro, por sua falta de metas concretas e prazos.

A organização Greenpeace foi uma das mais duras críticas das negociações nos últimos meses sobre a declaração final da Conferência. “Há muitas voltas e muito teatro para tentar demonstrar que o resultado é positivo”, disse Naidoo, ontem, um dia antes do encerramento oficial da cimeira. “Há pontos de referência específicos? Há recursos específicos (comprometidos)?”, questionou. “A realidade é que é um completo fracasso nesse sentido”, ressaltou.

Naidoo afirmou que o fracasso da Conferência não deve ser atribuído por inteiro ao Brasil, mas acrescentou que a nação organizadora deve aceitar parte da culpa por ter pressionado por um consenso sem importar a sua consistência. “Muitos governos queixaram-se da forte pressão que o Brasil exercia para obter um acordo a qualquer custo”, opinou, acrescentando que o resultado final é um documento com poucas ambições. Naidoo também criticou as nações ricas por defenderem apenas os seus interesses.

Alguns funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU) que acompanharam de perto o processo reconheceram que houve pressão sobre os negociadores. Um deles declarou ao TerraViva que muitos países concordavam que a declaração não oferecia soluções para as crises mais graves que a humanidade enfrenta, mas que não podiam dizer isso publicamente. Naidoo destacou que a declaração, por carecer de objetivos específicos, não irá travar os problemas crescentes da mudança climática, a perda de biodiversidade e o desmatamento.

“O mínimo aceitável são todas essas coisas fundamentais sobre o meio ambiente e o clima, que são problemas muito graves. Todos os sinais indicam que o tempo está a esgotar-se. No contexto de compromissos específicos com recursos apropriados, declaramos o resultado um fracasso épico”, enfatizou Naidoo. As ONGs presentes à Rio+20 queixam-se de que foram consultadas sobre o documento final somente no último minuto, quando já não podiam incidir de maneira significativa sobre ele.

Ao falar na cerimónia de abertura do segmento oficial da Conferência, no dia 20, quando se supunha que os chefes de Estado e de governo deveriam rubricar o documento apresentado pelo Brasil, o representante de uma organização afirmou: “O texto perdeu completamente contacto com a realidade, e as ONGs presentes no Rio não o aprovam”. Este representante (identificado pela imprensa brasileira como Waek Hamidan, do Climate Action Network Europe) insistiu em que o texto é um fracasso por não abordar temas cruciais como a eliminação de subsídios aos combustíveis fósseis e para a energia nuclear, nem estabelecer passos concretos para travar a deterioração dos mares internacionais.

O ativista também pediu que, se o texto permanecer como está agora, sejam eliminadas as menções à sociedade civil da introdução. As ONGs presentes no Rio de Janeiro expressaram profunda deceção pelo documento final, embora nem todas estejam necessariamente de acordo com a eliminação das menções à sociedade civil no documento.

Barbara Stocking, diretora-executiva da Oxfam, disse ao TerraViva que sua organização aprova a eliminação da referência à sociedade civil no texto. “Basicamente, a sociedade civil não está de acordo com essa série de declarações”, afirmou. “Os aspectos básicos estão, mas não há nada ali realmente pelo qual a sociedade civil tenha lutado. Não houve um adequado processo para envolver a sociedade civil”, acrescentou. “O diálogo só começou às vésperas da atual seção de alto nível, e não houve meios para poder incidir, pois o texto já estava fechado”, ressaltou.

Por sua vez, Sharon Burrow, secretária-geral da Confederação Sindical Internacional, teve uma postura diferente. “Apoio a ambição, mas meu desafio não é sermos eliminados do texto, mas esclarecer o que realmente significa codeterminação (participação nas decisões) para avançar”, esclareceu. “Nós, a sociedade civil, os sindicatos, representamos o povo assim como os políticos. Eles apresentaram-nos um texto final pouco antes de começar a cimeira, e isso foi muito frustrante”, observou.

Segundo Naiddo, “não se trata de uma palavra em particular no texto, mas do facto de que, se falam seriamente em tomar decisões compartilhadas, devem dizer-nos como participaremos”.

Fonte: www.esquerda.net

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