Consuma menos, lucre mais

Assunto: Revista Lumière Electric – 08.2010

Brasil – Aumento da demanda por energia leva especialistas a pensar em alternativas para suprir essa carência e tornar o consumo e a produção de energia mais eficientes

Brasil – A demanda por energia elétrica no país cresce a cada ano, e, para suprir essa carência, o setor encontra duas alternativas que envolvem a promoção do investimento em geração de energia e a eficientização das instalações. Segundo a Associação Brasileira das empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco), estima-se que anualmente, o custo com desperdício de energia de forma ineficiente chegue a R$19 bilhões. Tais constatações levam o mercado à seginte reflexão: ou o Brasil terá a energia elétrica como um fator determinante de crescimento, ou o país investe na conservação de energia e passa a consumir de forma consciente.

Em reportagem publicada na revista Lumière Eletric, na edição de agosto, são apresentadas as pesquisas que têm sido feitas na área de energia, com o objetivo de encontrar alternativas que possibilitem a redução do consumo. Além disso, é possível ver na matéria também as dificuldades atualmente encontradas para reverter esse quadro tais como conseguir financiamento de projetos, dificuldade em dar continuidade em projetos propostos, entre outros.

Revista Lumière Electric
Fonte: Procel Info

Decisões políticas referentes a interligação energética causaram perdas de R$6,7 bi ao País

A política de integração energética entre os países da América Latina, bastante destacada pelo governo nos últimos anos e atualmente no foco da Eletrobras, foi alvo de duras críticas do Instituto Acende Brasil, centro de estudos voltado ao setor elétrico nacional. Nesta sexta-feira (24/9),  o órgão apresentou um documento no qual calcula os resultados das relações internacionais no campo da energia nos últimos anos. Nas contas dos especialistas do instituto, ao invés de gerar benefícios, a integração entre o Brasil e seus vizinhos levou o País a perdas de cerca de R$6,7 bilhões desde 2003. Os cálculos ainda apontam para possíveis impactos futuros que variam de R$9,5 bilhões a R$14,8 bilhões decorrentes dessas transações.

O relatório lista uma série de onze incidentes em que intervenções e pleitos dos países vizinhos levaram a alterações de condições originalmente pactuadas em contratos e tratados, sempre com ônus para os brasileiros. O instituto destaca que, nas relações internacionais, há sempre “riscos decorrentes do envolvimento de outras instituições” como governo, congresso, reguladores e grupos políticos ou econômicos sobre as negociações. E afirma que, na última década, a reação brasileira às pressões geradas nesse ambiente tem sido “bastante previsível e sempre baseada na ‘acomodação’ dos pleitos e intervenções de nossos vizinhos”. Para o Acende Brasil, as decisões do País acarretam “custos bilionários para consumidores, contribuintes e empresas brasileiras, sejam elas privadas ou estatais”.

Lenn pelloc’h

Folhas artificiais usam clorofila para gerar eletricidade

A folha artificial é composta por um material flexível feito com um gel à base de água e infundido com moléculas sensíveis à luz.

Célula solar molhada

Pesquisadores demonstraram que tentar imitar mais de perto a natureza pode ser um caminho promissor para a fabricação de células solares mais eficientes.

O que eles chamam de “folhas artificiais” representa um novo tipo de células solares “molhadas”, feitas com um gel rico em água, com potencial de serem mais baratas e ambientalmente mais amigáveis do que as células solares à base de silício.

Agora que demonstraram que o conceito funciona, o que a equipe coordenada por pesquisadores da Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, quer fazer é otimizar suas células solares molhadas, para que elas gerem energia em quantidades práticas.

Folha artificial

A folha artificial é composta por um material flexível feito com um gel à base de água e infundido com moléculas sensíveis à luz.

Lenn pelloc’h

Supervírus de computador ataca usina nuclear iraniana

Guerra cibernética

Um tipo de vírus de computador, dos mais sofisticados já detectados, pode ter como alvo infraestrutura iraniana de “alto valor”, segundo especialistas ouvidos pela BBC.

A complexidade do malware Stuxnet, programa que permite o acesso remoto ao computador infectado, sugere que ele deve ter sido criado por algum governo nacional, de acordo com alguns analistas.

Acredita-se que o vírus seja o primeiro especialmente criado para atacar infraestruturas reais, como usinas hidroelétricas e fábricas.

Uma pesquisa da Symantec, empresa norte-americana de segurança informática, sugere que quase 60% de todas as infecções mundiais ocorrem no Irã.

“O fato de que vemos mais infecções no Irã do que em qualquer outro lugar do mundo nos faz pensar que o país era alvo”, diz Liam O’Murchu, da Symantec.

O Stuxnet foi detectado por uma empresa de segurança de Belarus em junho, embora esteja circulando desde 2009 e vem sendo intensivamente estudado desde então. Lenn pelloc’h

Uma pessoa em cada cinco vive sem eletricidade no mundo

Mais de 1 bilhão de pessoas ainda cozinha de forma rudimentar e tóxica

Regiões inteiras do planeta vivem em um tempo que de moderno só tem o nome, nas quais a falta de eletricidade e de sistemas de cozimento que não sejam tóxicos condenam milhões de pessoas à miséria.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), mais de 20% da população mundial, ou seja, 1,4 bilhão de pessoas, não têm acesso à eletricidade e 40% dependem ainda de fornos rudimentares e tóxicos para cozinhar.

“É uma vergonha, é inaceitável”, afirmou a AIE em um relatório divulgado nesta semana na cúpula da ONU sobre as Metas do Milênio para o Desenvolvimento.

Pressionar um interruptor, um gesto elementar no mundo desenvolvido, é ainda um sonho em muitos países. Lenn pelloc’h

Redução na velocidade da luz é obtida dentro de um chip de silício

Chip com 32 unidades de integrado de espectroscopia atômica Cada uma das 32 unidades inseridas nesse chip, que mede 10 centímetros quadrados, é um integrado de espectroscopia atômica que pode ser usado para controlar a velocidade dos pulsos de luz.[Imagem: C. Lagattuta/UFSC]

A informática é ávida por aumentos de velocidade. Mas, para obter a velocidade definitiva, tornando os chips ópticos uma realidade, com a substituição da eletricidade pela luz, uma redução na velocidade da luz pode ser um passo muito útil.

E foi justamente isso o que fizeram cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, nos Estados Unidos.

O grupo do professor Holger Schmidt criou um pequeno dispositivo óptico capaz de reduzir a velocidade da luz em 1.200 vezes, a menor taxa de propagação da luz obtida em um chip de silício até hoje – e, pela primeira vez, operando a temperatura ambiente.

Controle da velocidade da luz

Embora as fibras ópticas transmitam dados à velocidade da luz, o roteamento e as operações de processamento de dados ainda precisam converter os sinais de luz em sinais eletrônicos.

O processamento totalmente óptico de dados vai exigir equipamentos compactos e confiáveis capazes de retardar, armazenar e processar pulsos de luz. E neste ponto que o novo chip avança.

A capacidade de controlar os pulsos de luz dentro de um chip é um grande passo para tornar realidade as redes de comunicações quânticas totalmente ópticas, com vastas melhorias na velocidade e no consumo de energia na transmissão de dados.

“Diminuir a velocidade da luz e outros efeitos de coerência quântica já são conhecidos há algum tempo, mas para utilizá-los em aplicações práticas temos de ser capazes de aplicá-los em uma plataforma que possa ser produzida em massa e funcione a temperatura ambiente ou mais alta, e é isso o que os nossos chips obtiveram,” disse Schmidt.

Lenn pelloc’h

Criatividade contra o ar seco

Não é só o Distrito Federal que sofre no país com o tempo seco. O problema se estende aos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Tocantins. Nesses tempos de recordes de baixa umidade do ar – em agosto, chegou a 7% em cidades do interior paulista -, os umidificadores são cada vez mais usados para aliviar o sufoco da secura. Enquanto muita gente corre para as farmácias e lojas de eletrodoméstico para comprar o aparelho, o engenheiro eletricista de Santa Rita do Sapucaí (MG) Cláudio Lasso preferiu inovar – e economizar: criou um umidificador feito de sucata e que não necessita de energia elétrica. “Um produto baseado na demanda social e ambiental”, define.

Lasso e o aparelho: invento surgiu para amenizar o sofrimento da sobrinha. Foto: Ecoshower/Divulgação

Diferentemente dos estudos científicos, que demoram anos para serem concluídos, os inventos surgem da necessidade de resolver rapidamente algum problema. No caso de Lasso, era o sofrimento da sobrinha de 9 meses, que estava sofrendo com o tempo seco. Em casa, ele colocou em prática princípios da engenharia aliados à preocupação com o meio ambiente – além de não gastar energia elétrica, o equipamento é feito apenas de objetos que costumam ir para o lixo. “Optei por materiais que todos temos em casa, para que qualquer pessoa possa fazer seu umidificador em poucos minutos”, diz o inventor.
O material utilizado é composto por uma garrafa, um pote de sorvete, um CD velho e um pano absorvente, do tipo Perfex (veja arte). A forma de utilização do pano, segundo Lasso, é o grande diferencial do seu invento, garantindo mais eficiência. Apenas a ponta dele é colocada na água, fazendo com que ela demore mais para evaporar. “Uma toalha molhada na cabeceira da cama leva cerca de 20 minutos para secar. Já o umidificador de ar absorve 1cm de água por dia, dependendo da umidade relativa do ar e do tamanho da vasilha”, compara o inventor.
Lenn pelloc’h